Museus precisam de ‘percepção preventiva’, diz especialista

Incêndio no Museu Nacional do Rio chocou o Brasil

(ANSA) – O incêndio que destruiu 90% do acervo do Museu Nacional do Rio de Janeiro, no início de setembro, chocou o Brasil e levantou uma questão imediata: como instituições culturais podem se proteger para evitar tragédias do tipo?

Segundo Bruno Machado Teixeira, gerente do segmento de iluminação e incêndio da fabricante de produtos e soluções em segurança Intelbras, é necessário desenvolver uma “percepção preventiva” na população e entre administradores de edificações quanto à necessidade de se instalar sistemas anti-incêndio.

Além disso, ele conta que, muitas vezes, a preocupação é apenas em atender às exigências dos bombeiros, que, no entanto, têm a função somente de verificar o cumprimento das normas, e não a qualidade e funcionalidade dos produtos.

“É um pouco o retrato do que a gente tem visto no Brasil inteiro, independentemente da edificação: ‘vou fazer o que o corpo de bombeiros aceita’. Várias centrais de incêndio estão instaladas, mas inoperantes ou operando com falhas”, diz, em entrevista concedida durante a Fire Show – International Fire Fair, feira organizada pela Cipa Fiera Milano e pela Associação Brasileira das Indústrias de Equipamentos contra Incêndio e Cilindros de Alta Pressão (Abiex).

O evento acontece no São Paulo Expo, zona sul da capital paulista, paralelamente à Feira Internacional de Segurança e Proteção (Fisp), até 5 de outubro. “Tem uma pessoa, que é o administrador daquele condomínio, daquele museu, que deve manter as coisas em ordem”, afirma Teixeira, acrescentando que é comum gestores darem mais atenção a outros fatores, como segurança por câmeras.

“Tem outro ponto que é bem importante, que é, dentro da qualidade do que está sendo instalado, a garantia do cumprimento da norma, de que o produto faz o que tem de fazer”, salienta o gerente da Intelbras.

Teixeira relata que, até pouco tempo atrás, não havia organismos independentes para certificar produtos e sistemas, como detectores de fumaça e de temperatura, acionadores manuais ou centrais inteligentes. Ou seja, existia a norma para garantir o desempenho dos aparelhos, mas não quem a controlasse.

“Recentemente, o Inmetro validou um organismo terceiro para fazer certificação no Brasil. Isso vai garantir que o equipamento é bom. Às vezes ele está aceso, mas devia detectar fumaça e não detectou”, ressalta. Ele também recomenda que responsáveis pela segurança de museus conversem com especialistas para saber quais os tamanhos dos riscos e os investimentos necessários para garantir a proteção do local.

Em um artigo sobre o tema, Teixeira explica que as principais causas de incêndios estruturais estão ligadas à falta de manutenção dos sistemas, à qualidade dos equipamentos e materiais e também a projetos mal planejados. “Um sistema de detecção de incêndios deve ser encarado como um benefício e não como um gasto desnecessário ou obrigatório”, diz ele no texto. (ANSA)

Fonte: ANSA